Às mães solteiras, aos pais adoptivos e aos filhos da Nação

Apesar de estar no estrangeiro, seguí em certa medida o desenrolar da campanha sobre o referendo sobre a liberalização do aborto em Portugal.

Amanhã é o dia do referendo, e ainda que esteja contra todo este folhetim, creio que um voto no não é a única forma de poder salvar ainda muitas vidas.

"Extermínio" não é nenhum exagero. Como dizia um médico na televisão, não se trata de nenhuma "interrupção" o que se está aqui a debater. Trata-se de uma terminação da gravidez. Deixemo-nos de sufismos, aqui não há volta atrás e a vida humana é demasiado séria para andarmos com palavras mansas.

Politização
Por outra parte, lamento profundamente uma vez mais a partidarização e politização de um tema que creio ser tão relevante, que devia de ser de consenso nacional. O embrião, o feto, o filho é simplesmente o ser mais indefeso da Natureza. Não vejo razão alguma para discutir sobre a sua existência. Muito menos por parte dos políticos e dessa nefasta troupe colorida aparentemente diversa que dá por nome de partidos.

Que paradoxo este de haver quem se ufane de ser ecologista, anti-taurino, pelas flores, pelos animais, bichos e bicharocos, e quando se chega ao mais desprotegidos e desamparados dos seres, sejam capazes de nem os considerarem como tais e condená-los à morte da forma mais cruel, cobarde e primitiva.

Por outro lado, uma certa direita ou sociedade conservadora, agarrada à igreja para a foto e uma esquerda de revista social, donde desconfio que lhes infunde uma vergonha imensa o ser o ter um mãe solteira na familia e daí muita gente "de bem" evitar tal situação depois de uma gravidez "não desejada"…

Duas incongruências violentas, da "esquerda" e da "direita", na teoria e na práctica, ambas hipócritas, que caem no mesmo saco roto (que lamentavelmente é o da morte), que para mim alertam que algo está mal e que este é um tema tão importante que nunca deveria ser motivo de referendo. Se uma nação não se referenda, pois a vida dos seus filhos muito menos. Ninguém tem decisão sobre a vida de ninguém, salvo uma segunda vida estar em risco. Não é este o caso que se discute.

Holocausto é exagero?
Os números do aborto ilegal de onde vêm? Falam em milhares em Portugal. Se é ilegal, não sei de onde vêm as cifras. Mas de onde legalizaram esta parática, de onde aparentemente "tudo corre bem", há um exterminio silencioso. Ali as vítimas não têm a Warner, a Metro, a Miramax ou a Paramount para contar as suas histórias. Ninguém pode expressar-se por elas. É o mais cobarde e maior extermínio da história da Humanidade, e todos temos responsabilidades.

Em dados roubados do site do sim, estes são uns números de França.

Como dizia Estaline, "Uma morte é um drama, dois milhões são estatística". Disso alguns militantes do sim são confessos crentes. A que pragmatismo chegámos…

O argumento do sim
O argumento do sim cinge-se ao direito de a mulher poder abortar como e quando quiser, sem motivos de razão maior. E isso é tudo. A actual lei contempla três razões, mas para o sim, o feto não é vida. Uma prova mais que este debate não é ideológico, aqui materialismo marxista e lógica capitalista são iguais a si mesmos: as razões económicas antepõem-se à vida humana.

Um tal dr. Rui Pereira, no programa televisivo que já mencionei, preocupava-se muito com o estigma negativo de que padece a mulher que aborta. Ora equivoca-se redondamente ou engana-nos propositadamente. Esse estigma, infelizmente, sofre na nossa sociedade a mãe solteira. A Igreja e as suas morais tem responsabilidades na matéria. A "mãe" que aborta, ninguém sabe nem ninguém saberá nunca se não quiser.

Todos nós somos susceptíveis e vulneraveis ao constante bombardeamento da sociedade
para fazer isto ou aquilo e seguir esta ou aquela tendência e já ouvi em mais de uma vez gente a dizer a outra "aborta!", "não tens condições!", "tens de pensar no teu futuro", e incentivos do estilo, vindos de todos os lados, tanto para a mulher como para o pai. E é isto que se passará caso ganhe o não.

Muito se falou das mulheres, como único actor válido. Quem porta o filho e pode decidir sobre a gravidez ou não, esquecendo-se que um filho é filho de uma mãe e de um pai. Mas esquecendo-se sobretodo que aquele ser que quer nascer. Quando não quer nacer, não nasce, morre. E por vezes isso sucede.

Comunicação social
Não deixei de sentir uma marcada tendência da parte da comunicação social, começando e acabando na mesmíssima RTP, a qual como tela de fundo mostrava sempre o símbolo de Venus quando se falava do aborto, como se à mulher exclusivamente respeitasse o tema.

Dos jornalistas pouco se pode esperar, jovens de sangue na gelra, eternamente na idade do contra, sempre dispostos a fazer noticias, regozijam-se com qualquer coisa que dê que falar, pensando que fazem uma grande labor pela sociedade. Mas aqui está a armadilha; estes moços e moças trabalham para uma máquina com interesses e com poder, sem saber de quem realmente são assalariados.

Foi essa máquina que durante estes últimos dez anos fez possível mudar a tendência do voto na população e são esses mesmos interesses que amanhã incentivarão as míudas abortarem mais e que colherão os dividendos da proveitosa indústria da morte. Na Inglaterra os números dispararam de 56.819 em 1969 para 194.179 em 2006. Neste período foram aos milhões –tout court- os seres humanos "interrumpidos".

Os abortadores
Tanto se falou das mulheres, que até fez-se crêr que o não teria algo contra o sexo femenino! Outra trapaça. Pouco ou nada se falou de quem realmente pratica o aborto: os "médicos" e as abortadeiras, com o fácil que seria identificá-los, puni-los e ajudar a acabar com a lacra que é essa práctica, já que é aos "milhares" cada ano segundo os dados do sim.

Se nos caso da droga o objectivo é capturar os traficantes mais que os consumidores, porque não fazer umas visitas a consultorios e metê-los no xilindró?

Desafio a algum deputado propôr, logo a seguir ao referendo, uma nova lei, mas desta vez que penalize os abortadores com as penas mais duras que hajam, e problema resolvido. Veremos se a tão repetida cassete do sim, do "simplesmente despenalizar a mulher", não mudará por completo…

Às mães solteiras
A mãe que não está casada e que assume com naturalidade a sua gravidez, que é ainda vista de lado, por vezes por quem incentiva ou pratica o aborto. Numa sociedade presa a uma moral antiga e por uma não menos irritante moralizinha laica, as mães solteiras, debaixo desta uma pressão, são hoje heroinas.

Neste dia em que se joga a vida de muita gente, com muita esperança, dedico estas linhas à coragem delas, desejo crianças aos inúmeros casais que querem e não podem ter filhos e peço um minuto de reflexão sobre as dezenas ou centenas de milhar de filhos da nação que por qualquer razão não os deixámos ver o Sol e não deixámos ir à sua vida, já que ninguém os quería…
Publicado sábado, 10 de febrero de 2007 15:04
Publicado en: Activismo, Política

Comentarios

tina dice:
Ser Mãe é um direito, ser pai é uma obrigação social.
Sou mãe solteira de um rapaz actualmente com 10 anos que viu o pai pela ultima vez com 1 ano de idade. Nunca sentiu a falta dele e é um bom aluno, calmo e bem comportado. a prova que um pai nem sempre é necessario.
*Tina*
miércoles, 02 de mayo de 2007 15:48
Julia dice:
Ser mãe é uma benção, ser pai é uma escolha!
Serei mãe solteira, para mim tem sido mto dificil, porém vejo que no fundo estou mais ganhando do que perdendo, terei o amor eterno de meu filho. COm relação ao pai, será uma escolha do meu filho, se terá amor por uma pessoa que nao liga tanto para ele!
Para mulheres, mães solteiras... sejam fortes, guerreiras e nao desistam facil da vida, de sua felicidade, pois alguém sempre irá te querer bem, seu filho!!
lunes, 05 de noviembre de 2007 1:09
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